Brownie andou pela Amadora.
Esta frase, se retirada do contexto, pode ser facilmente entendida como piada racista. Algum energúmeno ao passar grunhiria imediatamente algo como “se há coisa que não falta na Amadora são brownies” e rir-se-ia alarvemente a seguir.

Dizia eu que Brownie esteve na Amadora. Está aí a 19ª edição do
Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, ou como é carinhosamente abreviado, FIBDA. Acrónimo bonito, este. Repetido algumas vezes em voz alta, parece alguém a tirar um cabelo da boca.
Estive à conversa com Brownie e ele revelou-me
(repararam? Outro trocadilho básico) o que viu por lá. Quer dizer, não estivemos propriamente à conversa. Eu falava e ele, vamos lá, não fazia grande coisa. As outras pessoas na esplanada olhavam para nós pelo canto do olho e eu não consigo deixar de pensar que tinha alguma coisa a ver com o facto de eu estar a falar para uma máquina fotográfica. Eu na minha cadeira, ele na dele com umas almofadinhas para estar mais alto e chegar à mesa, onde tinha o seu carioca de limão.
Mas nós cá nos entendemos. E Brownie diz que gostou. Segundo ele, este ano o festival é o melhor dos últimos anos. Tem um tema que fez sempre parte do imaginário da 9ª arte
(Tecnologia e ficção científica), uma boa escolha dos autores e das obras
(menos palha, ao contrário de edições anteriores) e uma decoração excepcionalmente bem conseguida.

Brownie tem ainda dois destaques a fazer: uma sala dedicada à nova geração da BD chinesa
(no piso inferior, quase que passava despercebida) e o trabalho de
Tara McPherson, uma ilustradora nova-iorquina que impressionou bastante o nosso pequeno amigo.

Este ano, e para não variar, os prémios das BDs a concurso foram novamente mal atribuídos. E agora sou eu, Porcos no Espaço, que digo. Não Brownie. Assim de repente, lembro-me de um ano em que o prémio terá sido mesmo escandalosamente mal entregue, sobretudo tendo em conta o arrojo e a qualidade de alguns trabalhos lá presentes.
Apenas por coincidência, eu até concorri nessa edição. O júri não alcançou a genialidade da minha obra, paciência.
De resto, apenas uma nota negativa para a fraca presença de editoras, coisa invulgar num evento que já atingiu a maioridade e que está cada vez melhor.
Brownie gostou e aconselha vivamente.